O INCOMPREENDIDO ATO DE PERDOAR

2018-01-03T10:54:18+00:00 3 de Janeiro de 2018|Blog|0 Comentários

Subindo um morrinho, na área rural de Minas Gerais, final de tarde, indo de casa em casa oferecendo uma palavra amiga, uma oração, ficamos sabendo de uma casa onde havia um homem adoentado, com o pé quebrado.

Sem pensar duas vezes, uma companheira de missão e eu fomos até a casa.

Chegando lá, fomos recebidas muito bem, como em todas as casas mineiras. Lá encontramos o homem doente e seus três amigos. O dono da casa em questão, muito tímido, de poucas palavras, com o rosto marcado pelo sol e pelo trabalho pesado, tinha uma expressão dura, porém muito atenta a cada palavra dita! Todos puxaram uma cadeira e de bom grado nos ouviram. Falávamos do amor de Deus e de como é a vida de alguém que decide andar junto d’Ele. De repente, o dono da casa, me interrompe e diz, “eu não consigo perdoar”! O incentivei a contar mais sobre isso. Eu sabia que era o Espírito Santo abrindo caminho, e então, ele contou a seguinte história:

Quando ele tinha cerca de 15 anos, sua mãe o surrou muito. Logo depois, os pais se separaram, e ele ficou com seu pai. Nunca mais viu ou quis ver a mãe. Passaram-se quase 10 anos e vieram lhe contar que sua mãe estava internada, prestes a morrer, e que ele deveria ir até lá! Ele conta que foi, mesmo com muita dificuldade.

Chegando lá, viu sua mãe acamada. Ela estendendo a mão, pediu perdão.

Ele, levou a mão até metade do caminho, mas retrocedeu! Afirmou: “Se o meu perdão te fizer ir para o céu, eu não te perdoo!”. Ele saiu da sala, e logo depois, ela partiu.

Naquele momento, quase 20 anos depois, ele confessa que ainda não havia perdoado sua mãe.

Foi aí que encontramos três equívocos sobre o perdão.

O primeiro é o fato de que o perdão não é um sentimento e sim uma escolha!

O segundo é que, para ele, assim como para muitos outros, o fato de não perdoar prende alguém a culpa pelo erro, quando na verdade aprisiona a si mesmo ao rancor e a dor que lhe foi causado.

E por fim, a frase: “Se o meu perdão te fizer ir para o céu, eu não te perdoo!”, revelou outro equívoco. Ninguém tem o poder de salvar ou de condenar ninguém. Apenas Deus: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Atos 17:31). Assim como o único perdão que precisamos receber é o perdão de Deus pelos nossos pecados, e este já está disponível, “Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam” (Salmos 86:5).

Perdoar é nossa responsabilidade. Um ato de coragem que não é motivado por sentimentos, mas pela razão. Aquele mineiro entendeu vinte anos depois, o que a falta de perdão estava lhe causando e, naquele mesmo momento, sua expressão dura se desfez e ele foi livre.

Ore, pois o Espírito Santo que ajuda nas nossas fraquezas (Romanos 8.26), irá te dar forças para vencer o medo de perdoar, e isso te tornará finalmente livre!

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